A Geração “S”
Postado por Flávio Lettieri em Empreendedorismo, Integração, Relações Interpessoais | agosto 31, 2010 | 1 Comentário
A década de 80 marcou o início da fase moderna do culto ao corpo.
Proliferaram as academias de ginástica e a chamada “Geração Saúde”, com valores e padrões de comportamento contrários à “Geração Hippye” dos anos 60 e 70, passou a ditar as regras do comportamento social.
Essa nova geração era contra as drogas, o tabagismo e o alcoolismo. O culto ao corpo, a preocupação com a beleza, o rejuvenescimento e os cuidados com a saúde ganharam espaço na mídia e, conseqüentemente, na mente das pessoas. A década de 90 foi marcada pelo surgimento de novas dietas, cirurgias plásticas, cosméticos prometendo milagres, e novas técnicas de ginástica. O importante era alcançar o padrão de beleza das atrizes de cinema e modelos.
Enquanto o corpo foi a referência dessa geração, a mente foi o alicerce de um novo modelo de perceber o mundo, a chamada “Geração Y”.
Uma nova geração, que se desenvolveu numa época de grandes avanços tecnológicos e prosperidade econômica e que tem como principal característica o estímulo pelas múltiplas e simultâneas tarefas, em uma velocidade que seria considerada simplesmente espantosa pelas gerações anteriores.Dois quadros que bem ilustram os “Y” são os aparelhos celulares, onde uma das inúmeras funções é fazer e receber chamadas, e a tela do “Windows” com suas múltiplas “janelas” onde diferentes tarefas são processadas ao mesmo tempo.
É interessante notarmos que a Geração Y não se contrapôs ou tentou necessariamente eliminar o modelo da Geração Saúde. Pelo contrário, houve uma relação de complementariedade, de forma que exercitar a mente não implicou em deixar de cuidar do corpo.
Academias de ginástica e computadores convivem de forma harmônica na vida das pessoas. Bom exemplo disso foi o enorme sucesso do videogame Nintendo Wii, especialmente os jogos Wii Sports e Wii Fitness, em que corpo e tecnologia se integram na experiência lúdica.
É a plena e moderna versão da expressão latina “Mens sana in corpore sano.”
E o que virá pela frente? Qual será a próxima geração? Será ela um contraponto ou um complemento à Geração Y?
Creio que os precursores dessa nova geração já estão em ação, fundamentados por uma forma de ver e, sobretudo, de sentir o mundo que vai se somar ao modelo atual, levando a humanidade a um maior desenvolvimento de suas potencialidades.
Essa geração ainda não tem nome, mas provavelmente será algo como Geração “S”, ou aqueles que integram o corpo e a mente com a espiritualidade (Spirit em inglês). Saúde, tecnologia e relações humanas em pleno equilíbrio entre si e com o meio ambiente.
O mais curioso é que as pessoas dessa nova geração não são e não serão necessariamente apenas os novos jovens.
Em uma ponta dessa Geração “S” teremos a criança que, desde cedo, aprende a praticar esportes e cuidar da saúde, aprende a valorizar o conhecimento e a sua busca e aprende a compreender o valor das relações harmônicas entre as pessoas entre si e dessas com o planeta.
Na outra ponta teremos os mais velhos, que chegarão a esse mesmo aprendizado e a esse mesmo nível de compreensão das crianças, só que, ao invés da sala de aula, serão instruídos ao longo da vida por suas próprias reflexões sobre as suas experiências.
Na Geração S, a informação continuará sendo valorizada, mas estará sempre subordinada ao conhecimento que, por sua vez, estará subordinado à sabedoria.
As relações hierárquicas farão menos sentido e as pessoas serão reconhecidas mais por suas habilidades e competências do que pelos seus cargos.
A realização pessoal terá mais força do que a busca pelo poder. Assim, os mais jovens e os mais velhos poderão aprender e ensinar-se mutuamente, cada um contribuindo com as suas diferentes experiências e diferentes potencialidades.
O vigor físico dos jovens e a maturidade dos adultos trabalharão lado a lado para a construção de um mundo mais sustentável e de uma sociedade mais ética e justa.
Para a Geração S a espiritualidade será vista como uma forma de manifestação da inteligência e não como uma expressão religiosa. O outro ser humano será visto como um parceiro ou como um companheiro de viagem e não como um concorrente. A competição selvagem perderá espaço para a cooperação.
Isso é utopia, diriam alguns. Isso é impossível, pois o ser humano é mau em sua essência, diriam outros.
Mas, para aqueles que não acreditam no futuro da Geração S eu sugiro que olhem para os lados, afinal ela já existe e pode ser ouvida em muitos lugares.
Ainda como vozes tímidas, é verdade, mas que a cada dia vêm ganhando força e marcando a sua presença para mudar o nosso jeito de ver e viver a vida.
Equilibrar alma, corpo e mente, eis aí um bom desafio…
Um grande abraço.
Tags: Artigos > Comportamento > Empreendedorismo > Escolhas > Lettieri > Motivação > reflexão > Resultados
Comentários
One Response to “A Geração “S””
Deixe o seu comentário


setembro 1st, 2010 @ 12:34
Texto maravilhoso, adorei!!!