Líderes que fogem
Postado por Flávio Lettieri em Comprometimento, Empreendedorismo, Liderança | junho 8, 2010 | Deixe seu comentário
Esta é a continuação do artigo publicado na semana passada: Líderes que enfrentam, líderes que fogem, líderes que se defendem.
Parte 2: João Pedro ficou muito contente com a oportunidade do novo desafio. Virar gerente da nova unidade, além do aumento de salário, era um reconhecimento por todos os resultados que tinha trazido para a empresa.
Mas, em pouco tempo, a euforia daria lugar às apreensões e as responsabilidades de ser um líder começaram a pesar em suas costas…
Quando aceitou o convite não imaginou que a liderança exigiria dele algumas competências completamente diferentes daquelas que tinham feito dele um excelente técnico de operações.
Se, na antiga função, o mais importante era lidar com processos, agora ele precisava lidar com algo muito mais complexo: as pessoas.
João Pedro precisa tomar decisões, gerenciar números e, ainda por cima, motivar pessoas, para delas extrair os melhores resultados. Ah, como isso era difícil!
Algumas vezes, chegava a pensar que seus funcionários o estavam testando, querendo ver até onde ele conseguiria aguentar.
Mas, o que o João Pedro mais sentia falta era mesmo de “colocar a mão na massa”. A função gerencial tinha o deixado muito distante da operação e isso, para ele que sempre fora apaixonado por seus projetos, era a maior perda.Porém, as coisas começaram a mudar no dia em que o estagiário novo pediu a sua ajuda para o desenvolvimento de um novo protótipo. João Pedro ficou tão entusiasmado que não apenas ajudou, mas desenvolveu, ele próprio, o trabalho.
O pior, pior mesmo, é que o trabalho ficou muito bom. E essa foi a brecha, a válvula de escape que ele utilizou para fugir de suas reais responsabilidades.
Cada vez mais passou a atuar diretamente no desenvolvimento dos projetos e, ao invés de preparar e motivar a equipe para fazer, ele mesmo fazia.
Ficou cada vez mais perto dos projetos e cada vez mais longe de todo o resto da empresa. Parecia que tinha se esquecido que existiam as vendas, a administração, todos os demais setores e, o mais importante, as pessoas.
E assim, cada vez mais, João Pedro foi se escondendo. Ficou envolto em sua própria bolha. Tempo: Ah, isso ele nunca tinha. Estava sempre correndo. Eram muitos projetos para cuidar.
O problema é que corria, corria, mas não chegava a lugar algum. Afinal, quanto mais corria, mais se afastava de sua verdadeira missão enquanto líder.
Ao invés de buscar o desenvolvimento das competências de liderança, apoiou-se nas suas habilidades técnicas para tentar sobreviver na função de chefe.
A história do João Pedro é muito parecida com a de muita gente por aí. Você conhece alguém assim? Provavelmente.
Porém essa história é diferente da história do João Pontes. E essa eu vou contar na próxima semana…
Um grande abraço!
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