O Ensino do Empreendedorismo no Brasil
Postado por Adriana Ferri em Empreendedorismo, Motivação, Resultados | março 24, 2010 | 2 comentários
Por Marcos Hashimoto - Revista PEGN março 2010Temos um enorme problema de natureza cultural: nossos pais nos educaram para buscarmos um bom e estável emprego em uma grande empresa e não para ter nosso próprio negócio.
Há duas semanas estive em um encontro de professores de empreendedorismo promovido pelo Instituto Empreender Endeavor. Representantes de instituições privadas e públicas trocaram suas visões sobre o ensino de empreendedorismo nas universidades brasileiras. A seguir segue um resumo de algumas das reflexões.
Em primeiro lugar, temos um enorme problema de natureza cultural com relação ao empreendedorismo. Por anos, nossos pais nos educaram para buscarmos um bom e estável emprego em uma grande empresa. Esse paradigma levou a uma percepção infundada de que aqueles que tivessem escolhido a carreira empreendedora eram aqueles que não gostavam de estudar. Abrir um negócio próprio era o destino dos ‘incapazes’. Esse rótulo diminui a receptividade dos jovens quanto à carreira empreendedora. Existe um consenso de que essa percepção felizmente esteja mudando, mas ainda é forte na cultura nacional.
Os próprios empreendedores querem distância do meio acadêmico. Seu preconceito advém da ideia de que empreendedorismo não se ensina, se faz. Histórias de empreendedores que abandonaram a escola para empreender ganharam notoriedade com muita rapidez e a consequência direta é que os que querem empreender não vão buscar na escola a sua formação, preferem aprender por conta própria e se inspirar nas histórias de outros empreendedores. Embora o tema seja explorado em vários congressos e revistas científicas, ainda há muito preconceito por parte de certas linhas das ciências aplicadas contra os pesquisadores de empreendedorismo.Considerando agora os professores de empreendedorismo, comentou-se que a percepção é que a maioria não foi formada originalmente em empreendedorismo. Só recentemente o empreendedorismo vem sendo escolhido como linha de pesquisa acadêmica para dissertação de mestrado ou doutorado, o que faz com que sejam ainda raros os professores com esta qualificação específica. Por esse motivo, os profissionais que se dedicam ao ensino de empreendedorismo possuem formação em áreas tão diversas quanto economia, tecnologia ou psicologia.
O repentino crescimento na oferta da disciplina nos últimos anos nas universidades do país agravou ainda mais essa condição, e o aumento da demanda se uniu à restrição da oferta. Cada professor tem sua própria definição sobre empreendedorismo, muitas vezes com aspectos contraditórios uns dos outros. Mesmo entre autores de livros e pesquisadores acadêmicos não há uma unicidade nas definições conceituais.
Juntando tudo isso, o que vemos é um conjunto de aberrações no qual cada professor constrói o currículo do seu curso de acordo com o viés de sua formação e assim não conseguimos encontrar dois cursos iguais de empreendedorismo. Essa discrepância levou à falta de consenso sobre o currículo mínimo ou ideal das disciplinas de empreendedorismo nos atuais cursos e culmina com a inevitável dificuldade de aprendizado pelo aluno.
Embora o crescimento de cursos de empreendedorismo no ensino superior seja uma boa notícia, as ofertas ainda são tímidas em termos de quantidade de disciplinas sobre o tema, sendo na maioria dos casos, optativa. Nas boas escolas americanas, empreendedorismo é um tema que se desdobra em várias disciplinas, obrigatórias e eletivas, além de inúmeros outros cursos de extensão, como empreendedorismo corporativo, social, franquias, empresas familiares, capital de risco.
A disciplina de empreendedorismo deve focar o comportamento empreendedor, ensinar como lidar com recursos limitados, correr riscos e tolerar o fracasso e o erro, ter perseverança e determinação, competir com grandes empresas, buscar liberdade e autonomia, superar limites e promover mudanças inovadoras. Para isso, o professor de empreendedorismo precisa sair da sala de aula e explorar outras técnicas de ensino vivencial, através de dinâmicas, competições, desafios, contato com empreendedores, laboratórios de experimentação, clubes de convivência e networking. Poucas áreas têm nos estudos de caso maior relevância e valor quanto empreendedorismo. Histórias de empreendedores, casos de fracasso, dilemas de gestores, servem como instrumentos fundamentais para o professor.
Como educador, cabe ao professor de empreendedorismo incutir a semente da curiosidade sobre o tema em seus alunos, ajudando-os a conhecer essa possibilidade de carreira e mostrando-lhes os caminhos para o auto-desenvolvimento. A tarefa de transferir essa paixão nos leva a inferir que, tão importante quanto o conhecimento acadêmico, o professor precisaria ter tido a vivência empreendedora em seu histórico de vida, seja como consultor ou como empreendedor. Esse seria um caminho para ele encontrar o melhor equilíbrio entre a teoria e a prática, o conceitual e o instrumental.
Como se tudo isso não bastasse, os participantes do encontro ainda ressaltaram que devemos buscar soluções tanto para o presente quanto para o futuro, procurando imaginar quem será o empreendedor brasileiro de 2020. Para enfrentar todos esses desafios, acabamos por concluir que o professor de empreendedorismo deve ser empreendedor também.
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Comentários
2 Responses to “O Ensino do Empreendedorismo no Brasil”
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março 30th, 2010 @ 11:22
Olá pessoal bom dia..!!!!!!!!!!
Estou cursando ADM, achei esse texto fantástico, neste semestre tenho uma matéria que só fala em empreendedorismo, achei muito rico o texto acima parabéns, as informações são ótimas é muito rica.
Att
Jane
março 30th, 2010 @ 12:00
Muito interessante e sempre atual esse tema que inquieta e faz refletir pessoas como eu – ex executivo de multinacional – que se vê às voltas com a necessidade de acreditar que é possível colocar em prática – com sucesso – alguns conceitos e conhecimentos adquiridos na lida de administrar uma parte do negócio de uma corporação (no meu caso era a área comercial de uma Unidade de Negócios, ou seja, a porção de uma porção) a seu serviço na condução “do todo” de seu próprio negócio. Que Deus nos ajude.