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Onde está a felicidade?

Postado por Flávio Lettieri em Comprometimento, Motivação, Relações Interpessoais | janeiro 3, 2011 | 6 comentários

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http://4.bp.blogspot.com/_379rGOuh7ms/SwalSTsyB5I/AAAAAAAAAJ4/juK3gXrecw4/s1600/oportunidade.jpgAté voltarmos a nossa publicação semanal escolhemos para o blog um artigo que foi um dos mais comentados em 2010 e que certamente servirá de inspiração a todos em 2011.

Semana passada, em uma viagem ao Rio de Janeiro, meu caminho se cruzou casualmente com o caminho de dois jovens, um no Aeroporto de Congonhas e o outro na Praia de Copacabana. Jovens absolutamente diferentes entre si, mas que juntos me fizeram refletir muito sobre a felicidade.

O vôo para o Rio estava atrasado cerca de quinze minutos. Enquanto dava os últimos ajustes na palestra que apresentaria à tarde, não pude deixar de notar a figura agitada do primeiro jovem.

Um garoto de não mais de vinte e cinco anos, trajando um fino terno Armani e literalmente gritando em seu BlackBerry: “Essa ‘m’ de vôo está atrasado de novo. Bando de incompetentes. Eu vou perder um negócio de um milhão de reais por causa dessa ‘p’ de atraso.”

A sua prepotência não estava apenas naquilo que ele falava, mas especialmente na forma agressiva como ele falava.

Percebi que esse descompasso e essa arrogância do jovem executivo causavam um sentimento de repulsa nos passageiros à sua volta. Algumas pessoas faziam comentários debochados sobre o comportamento do rapaz.Confesso que senti pena dele. Fiquei pensando no que pode levar um jovem com tantos recursos a ter uma atitude tão pobre de espírito.

Instantes depois o embarque se iniciou e eu me esqueci dele.

Dei a minha palestra e, como estava em um hotel em Copacabana, resolvi fazer uma caminhada pelo Calçadão da Praia. Foi aí que encontrei o segundo jovem.

Aparentemente 25 anos. Caminhava a passos largos, provavelmente indo para casa após o trabalho. Também usava um terno. Simples, mas de bom gosto.

“Moço, compra um lanche pra mim”, falou um garotinho que passou por ele.

“Aê moleque, tá com fome? Ô irmão, faz um lanche pro meu amiguinho aqui”, falou o jovem com um sorriso para o dono da barraquinha.

“Brigado, moço.”

“Não precisa agradecer não moleque. Um dia que você puder, faça o mesmo por alguém. Fica com Deus. Tchau”. Deu um tapinha carinhoso na cabeça do garoto, pagou o lanche e seguiu o seu caminho. O sorriso no rosto. Parecia em paz.

Eu, que estava observando a cena, automaticamente me lembrei do jovem no aeroporto.

Provavelmente se ele estivesse naquela hora, naquele lugar, ele não teria tido tempo de olhar para o garotinho. Possivelmente estaria tão preocupado com o seu contrato de um milhão que não conseguiria perceber a dor da fome do menino.

Novamente senti pena dele, ao passo que senti um profundo respeito pelo outro jovem. Admirei-o especialmente por ser alguém que, apesar da correria do dia a dia, teve tempo para enxergar outro ser humano.

Não sei qual dos dois é mais feliz, mas se tivesse que dar um palpite, certamente arriscaria no segundo. Por quê?

Porque, a meu ver, enquanto o primeiro parece acreditar que a felicidade está naquilo que acumulamos, nos contratos de um milhão de reais, o segundo parece perceber que, apesar da necessidade de trabalhar e de construir a sua vida, não devemos nos esquecer de olhar para o lado, de enxergar no outro um ser humano, que muitas vezes precisa de ajuda, de apoio, de um olhar.

Acho que o mundo seria melhor se as pessoas, jovens ou não tão jovens, conseguissem olhar mais para os lados durante seus longos vôos.

Um carinhoso abraço.

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Comentários

6 Responses to “Onde está a felicidade?”

  1. Ana Claudia Cloves
    maio 4th, 2010 @ 9:09

    Adorei o texto!
    Me vi nele, sabia!
    Sou do Rio e fui transferida para São Paulo, logicamente, o texto não critica o perfil geografico, e sim como as pessoas lidam com as suas vidas.
    Quando trabalhava no Rio, sempre fui muito dedicada, comprometida e competente, adjetivos que me proporcionaram um cargo de gerente na matriz da Cia em São Paulo, mas…mesmo com todo trabalho, tinha tempo pra ir ao clube, ficar com as minhas filhas, dá um pulo no shopping, buscá-las na escolinha, participar das reuniões de pais, levá-las numa pizzaria para comemorarmos uma nota boa na prova, nos finais de semana, saia com as minhas amigas, felizmente, tenho muitos amigos, enfim….me sentia feliz, embora, mãe separada, com as contas sempre atrasadas, lutando para que elas não percebessem a minha agonia todo dia 05 de cada mês, ainda assim, muito feliz, acreditem!
    Agora, trabalho em São Paulo, com o objetivo de proporcionar uma vida melhor para elas, conseguir comprar meu apt, passar menos “perrengue” com relação a grana, no entanto, não pude trazê-las até o momento, fico na ponte aérea todo final de semana, percebo minhas filhas numa agitação diferente, querem chamar a minha atenção com medo da hora chegar, e eu ter q ir embora, me sinto triste, trabalho na função que gosto, mas rodeada de pessoas tristes, não consigo ver um sorriso delas, é impressionante!
    Não tenho amigos, curiosamente, o paulista não é tão receptivo assim, por isso, tbm não faço questão e continuo na minha solidão!
    Nesse caso….ONDE ESTÁ A FELICIDADE??

  2. Flávio Lettieri
    maio 4th, 2010 @ 9:45

    Ana Claudia, muito obrigado por compartilhar conosco um pouco da sua história, de forma tão sincera e transparente. Torcemos, de coração, para que muito em breve a família esteja junta novamente no dia a dia. Quanto às pessoas à sua volta, tenho uma sugestão: Por mais difícil que possa parecer, procure ser uma plantadora de sorrisos. Cada vez mais me convenço de que a alegria tem um poder contagiante, capaz de vencer até mesmo à indiferença das pessoas mais resistentes.
    Um forte abraço,
    Flávio Lettieri

  3. Tweets that mention Onde está a felicidade? : Somma Blog -- Topsy.com
    maio 5th, 2010 @ 17:41

    [...] This post was mentioned on Twitter by Adriana Ferri. Adriana Ferri said: Onde está a felicidade? http://bit.ly/dt0tvv Leia a história e diga: Qual dos 2 você acha que é mais feliz ou mais realizado? #sommablog [...]

  4. Paulo Luiz Mendonça.
    outubro 1st, 2010 @ 13:19

    Há dois grupos de seres humanos. Os membros do primeiro grupo são aqueles que usam o potencial maravilhoso do seu cérebro, potencial este que é inerente a todos os humanos. Estes usam este potencial com criatividade, persistência e Perspicácia, conseguindo com isso, um invejável progresso e uma vida perfeitamente equilibrada. Os membros do segundo grupo são mais tranqüilos, desprezam preguiçosamente o potencial maravilhoso do seu cérebro, são essencialmente acomodados. Estes quando se encontram em dificuldades tanto financeira como com problema de saúde, se dirigem fervorosamente cheios de fé, as entidades supremas em busca de um milagre. Eles não descobriram ainda que milagres são como prêmios de loteria, somente alguns poucos são privilegiados. Também não descobriram ainda que o principal milagre, Deus já o fez, que é ter dado a nós uma privilegiada inteligência.
    Os seres humanos que usam sua inteligência e criatividade sabem perfeitamente delinear seu próprio destino, baseando no bom senso e na razão. Os demais seguem fanaticamente os ditames da multidão.

  5. Paulo Luiz Mendonça.
    novembro 5th, 2010 @ 14:53

    A guerra é um massacre entre pessoas que não se conhecem, Para proveito de pessoas que se conhecem, mas não se massacram.

    Paul Valery filósofo Frances.

  6. Paulo Luiz Mendonça.
    abril 4th, 2011 @ 9:46

    Quem é mais forte os ateus ou os religiosos
    Sem sombra de dúvida, os ateus são os seres mais fortes e mais corajosos membros da espécie humana. Porque enquanto os religiosos morrem de medo do castigo de Deus, e também tendo em suas crenças a esperança de ajuda infinita dos céus, os ateus lutam sozinhos sem nenhum tipo de medo, caminham por toda vida sem ajuda de nenhuma entidade divina. Enquanto os religiosos necessitam de um guia para enfrentar as agruras da sua existência, os ateus se dirigem sozinhos enfrentando todas as adversidades que a vida lhes impõe sem nenhuma ajuda sobrenatural. Enquanto religiosos são impedidos de questionar por causa de dogmas e leis impostas pela Bíblia, os ateus têm a mente aberta e livre para pensar e questionar quaisquer coisas que seja desprovido de lógica. Enquanto os religiosos precisam de livros sagrados e teólogos para lhes ensinarem moralidade, os ateus as conquistam sozinhos somente com a pureza dos seus pensamentos os quais são livres das amarras que todas as religiões impõem. Enquanto os religiosos fazem o bem ao próximo esperando por recompensa no dia do juízo final, os ateus fazem as mesmas coisas, fazendo por fazer sem esperar nenhuma compensação. Enquanto os religiosos repudiam todos os ateus, sejam eles bons cidadãos ou maus cidadãos, os ateus por sua vez se tiverem que repudiar alguém, repudiará somente os maus elementos que se escondem por traz das seitas religiosas, os bons são bons em qualquer caminho que tenham optado, tanto ateus como religiosos. Estou expondo estes fatos para serem julgados com sinceridade sem ódios ou rancores, esqueçam os dogmas religiosos, julguem com o coração aberto e o pensamento livre de preconceitos.
    Paulo Luiz Mendonça.

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