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Empreendedores Mirins

Como você pode estimular, desde já, os seus filhos ter uma postura pró-ativa, que deverá ajudá-los – e muito – em diversas situações da vida.

Por Carin Petti


A pequena Paula Stefani tem apenas 7 anos. Ela mal aprendeu a ler e escrever, mas já deu seus primeiros passos como empreendedora. Paula diz que sua carreira no mundo dos negócios começou há dois anos, com a venda de limonada por 1 real o copo para os pedreiros da vizinhança. Meses depois, ela decidiu mudar de ramo, passou a confeccionar e a vender pulseiras de miçangas para as vizinhas. Mais recentemente, resolveu deixar de lado as bijuterias e se dedicar à pintura de quadros.

Desde o princípio, Paula contou com o apoio de sua mãe, a economista Renata Stefani, 45 anos, em suas atividades empresariais: “Tento mostrar que ela precisa levar em conta o valor da matéria-prima, da mão-de-obra e também da margem de lucro”. “Minha mãe diz que não dá pra cobrar caro demais, porque senão vou vender pouco”, diz a menina. “E quero vender muito para comprar uma fazenda de cavalos”.

Na verdade, o apoio de Renata ao espírito empreendedor da filha começou bem antes da venda do primeiro copo de limonada, com estímulos à sua independência, autoconfiança e disposição para correr riscos.

Assim como Renata, um número crescente de pais se preocupa em estimular, desde cedo, uma atitude empreendedora em seus filhos. Não necessariamente para que pensem em abrir o próprio negócio. Afinal, lugar de criança é na escola. Mas para que eles desenvolvam uma postura pró-ativa, que vai ajudá-los – e muito – em diversas situações da vida. Como dizem os psicólogos e pedagogos, quanto mais iniciativa e autoconfiança a criança tiver, maior a chance de ela se dar bem na vida, seja qual for o caminho que escolher.

É claro que há quem traga o espírito empreendedor no DNA e não precise da ajuda dos pais para desenvolvê-lo. O inverso também pode ser verdadeiro. Estimular a atitude empreendedora na garotada é fundamental.

O problema é que, por querer proteger os filhos, muitos pais acabam por limitar o desenvolvimento das crianças. Muitas vezes, sem se dar conta, decidem tudo por elas e as impedem de fazer as suas próprias escolhas, inclusive nas pequenas coisas do dia-a-dia. “Deixe seu filho escolher seus próprios amigos ou a roupa que vai vestir”, diz o consultor Flávio Lettieri, 35 anos, diretor da Somma, especializada na formação de empreendedores em empresas e escolas.

Segundo um estudo realizado pelo psicólogo americano David McClelland (1917-1998), ex-professor da Universidade de Harvard, que dedicou boa parte da vida a tentar explicar por que certas pessoas são mais motivadas a levar adiante os seus planos do que outras, as crianças incentivadas a cuidar da própria vida precocemente tendem a se tornar inseguras e passivas. “É importante incentivar a independência, mas é preciso também saber dar colo e proteger a criança quando necessário”, afirma o consultor Lettieri.

Quando a cadela Laica, da raça Shin-tzu, ficou prenha, Lucas, 13 anos, filho da relações-públicas Maria Cecília Martins, 40 anos, viu na venda dos fihotes um jeito de reforçar a mesada. Ela não se opôs a isso, mas disse que Lucas teria que dividir com ela a receita, pois o cachorro não era só dele e isso não seria correto.

Maria Cecília elaborou junto com o filho um pequeno plano de negócios para o “empreendedorismo”. Fizeram uma estimativa de custos, como vacinas e ração, e definiram o preço de venda – 1.000 reais para fêmeas e 500 reais para machos. Também estabeleceram o público-alvo: frequentadores de pet shops e de feiras de animais. Ao final, os filhotes foram vendidos, em média, pela metade do preço de tabela. “Como nos apegamos aos cachorrinhos, eles ficaram velhos demais para conseguirmos o melhor preço”, afirma Maria Cecília.

A experiência, segundo ela, rendeu três importantes liçoes para seu filho: é preciso desvincular o negócio das emoções, toda a cautela é pouca ao definir o preço de venda e não se deve contar com o dinheiro antes de ele entrar no caixa. Todas, com certeza, devem ser úteis para a vida do garoto.

Como mostram estes casos, o empenho dos pais é essencial para o desenvolvimento da atitude empreendedora dos filhos. Hoje, muitas escolas incluem aulas de empreendedorismo em seus currículos – e isso também tem um efeito importante. Mas, se dentro de casa a família não fizer a sua parte, todo o aprendizado pode dar em nada. Exceto se o seu filho trouxer no DNA o gene dos grande empreendedores.


Liberdade Vigiada

Confira algumas formas de estimular a atitude empreendedora de seus filhos, segundo Flávio Lettieri da Somma Capacitação:
  • Incentive os seus sonhos pessoais e o estabelecimento de objetivos

  • Permita que superem pequenas dificuldades sem interferências de adultos, mas não deixe de protegê-los em situações de maior risco

  • Mostre que não é possível acertar sempre e que a vida é feita de tentativas e erros

  • Evite punir os seus erros e procure deixar claro como é possível aprender com eles

  • Comemore as pequenas conquistas com recompensas afetivas, como beijos e abraços

  • Faça pressão para icentivar a busca da superação pessoal, mas lembre-se de que, se você exagerar na dose, pode inibir o espírito empreendedor das crianças

  • Estimule-os a tomar decisões e a se responsabilizar pelos seus atos


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