Atitude Empreendedora

EMPREENDEDORISMO É FAZER ECONOMIA DE ÁGUA

“servo bom e fiel, foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei. ” - Mateus 25:23

ATITUDE EMPREENDEDORA

Querida empreendedora, Querido empreendedor,

O Brasil está entre os 10 países mais empreendedores do mundo!
Isso é bom ou isso é mau?
Acredito que essa pergunta mereça duas respostas:
A primeira é: Depende do ponto de vista.
A segunda é: Esses números, por si só, não significam nada de concreto, ou seja, sua análise merece alguns comparativos.
Se considerarmos que 97% dos postos de trabalho no Brasil são gerados pelas pequenas empresas, certamente teríamos uma visão bem positiva dessa nossa colocação no ranking.
Porém, quando analisamos outros dados relacionados, percebemos que ainda temos uma longa caminhada pela frente.
Na primeira vez em que essa avaliação foi feita, em 2000, pela GEM (Global Enterpreneurship Monitor) o Brasil ocupava o topo do ranking.
Em 2001, caímos para o quinto lugar. Em 2003, para o sexto. Em 2006 (dados da última pesquisa) caímos para o 10° lugar.
Estamos em queda livre.
Outro ponto a se considerar, e acredito que um dos mais importantes, é a proporção entre empreendedores por necessidade (aqueles que abrem um pequeno negócio pela falta de opções no mercado de trabalho) e os empreendedores por oportunidade (aqueles que detectam uma oportunidade e têm a opção de fazer uma escolha).
A proporção atual é de 1 para 1, ou seja, para cada pessoa que decidiu arriscar no sonho de ser o seu próprio patrão encontramos outra que seguiu esse caminho apenas porque não tinha outra alternativa.
Isso é um fato que vai muito além de estatísticas.
Isso envolve dois grupos com perspectivas muito diferentes.
Diferentes motivações e diferentes oportunidades de preparação prévia para gerir um negócio e que têm um forte impacto nas possibilidades de êxito do empreendedor.
E tudo isso em um cenário onde 50% dos novos empreendimentos fecham (quebram) dentro de 5 anos.
Esses dados também vão muito além de estatísticas...
Significam que, de cada duas pessoas que depositam suas expectativas, seu tempo, seu dinheiro e seus sonhos na abertura de um negócio, uma perde tudo isso.
Diante disso, rir ou chorar?
Eu prefiro nem rir, nem chorar.
Apenas tentar compreender o que está por trás disso.
Tirar lições para ser um melhor empreendedor diante dos negócios e dos desafios da vida.
Podemos encontrar alguns argumentos fortes e concretos para esses fracassos empreendedores: a dificuldade de crédito, problemas na educação, falta de incentivos aos pequenos empreendedores e por aí afora em uma grande lista.
Mas, eu não consigo deixar de ver em tudo isso um problema cultural do nosso povo como resposta a esse cenário.
Alguns ranços que aprendemos em nossa herança cultural e que nos deixam mais próximos daqueles que só arriscam e correm atrás diante da necessidade do que daqueles que transformam oportunidades em realidade.
Uma cultura do “jeitinho” e do “querer levar vantagem em tudo” que incentiva uma atitude de fracasso.

Nas festas de final de ano, pude conviver com algo que fortaleceu ainda mais essa minha crença e a vontade de fazer a minha parte para mudar essa realidade.
Passei esse período no litoral sul de São Paulo.
A população local de 1,4 milhão de pessoas chega a quadruplicar na temporada. Somente entre o Natal e o Ano Novo desceram mais de 2 milhões de pessoas para a Baixada Santista.
Resultado: Faltou água.
O abastecimento foi racionado e as pessoas, diante da necessidade, tiveram que empreender.
Vi pessoas usando canecas e baldes para tomar banho, fechando torneiras enquanto escovavam os dentes e economizando água das mais diversas, e criativas, maneiras.
Incrível: Nesse período, não vi ninguém lavando o carro com a mangueira.
Tudo bem que isso não aconteceu porque as pessoas, de uma hora para a outra, foram tomadas por um sentimento de respeito ao coletivo. As motivações ainda eram egoístas, mas, pelo menos, geraram ações que contribuíam para o bem de todos.
Mas, para a minha tristeza e de todos aqueles que se preocupam com o futuro dos recursos naturais, bastou a normalização do abastecimento, por volta do dia 3, para que tudo voltasse ao normal.
Se é que podemos chamar qualquer tipo de desperdício de algo normal...
Para a tristeza, daqueles que esperam que as futuras gerações possam ter água limpa e potável e, mais do que isso, daqueles que torcem para que o povo brasileiro, tão alegre, acolhedor e batalhador, possa acordar para a cidadania e para a visão de coletividade, a coisa voltou pior do que estava.
A minha sensação era de que as pessoas queriam compensar o sofrimento da falta de água com um louco desperdício da mesma.
Incrível: As mangueiras voltaram a lavar os carros nas calçadas. E ainda com mais voracidade!
Talvez, para alguns, surja a pergunta: O que essa relação com a falta de água tem a ver com o empreendedorismo?
Acredito que tudo!
A água é apenas a metáfora da questão.
Quando estamos movidos apenas pela falta, não conseguimos estar abertos a novas possibilidades.
Quando estamos atentos apenas às nossas necessidades e problemas não conseguimos ter uma visão criativa para solucionar às necessidades de nossos clientes.
Se abstrairmos a idéia de cliente para todos aqueles que são importantes para o nosso empreendimento – negócio, trabalho ou vida – começamos a compreender porque a visão individualista do mundo nos afasta das oportunidades e das realizações.

Exercitar a economia de água, ainda enquanto a temos em abundância, eis aí um bom desafio.

Um carinhoso abraço.

Flávio Lettieri
flavio@sommaonline.com.br


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