Atitude Empreendedora
ONDE ENCONTRAR A MOTIVAÇÃO
“Aos homens, lhes provaria como estão enganados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saber que envelhecem quando deixam de se apaixonar.”
ATITUDE EMPREENDEDORA
Querida
empreendedora, Querido empreendedor,
Há algum tempo utilizamos, aqui na empresa, o Google como uma ferramenta de mídia, o chamado link patrocinado.
Para quem não conhece o processo, uma rápida, e muito superficial, explicação: você define algumas palavras-chave – as palavras de busca – e, quando o internauta digita no Google uma daquelas palavras, aparece um link para o seu site.
A pessoa clica, você paga e todo mundo fica feliz.
O cliente porque te achou, você porque foi visitado pela maior autoridade no mundo dos negócios, o seu cliente, e o Google, é claro, que de clique em clique faturou quase onze bilhões de dólares no ano passado.
É claro que esse sistema maravilhoso às vezes apresenta algumas deficiências, exceto para o Google, que sempre ganha com o clique.
Às vezes a pessoa digita a palavra pensando em encontrar algo e quando vai parar em determinado site descobre que não era bem aquilo que procurava. Perde o seu tempo.
E o dono do site perde o seu dinheiro, afinal aquele não era bem o seu cliente.
É fácil perceber que o bom aproveitamento dessa ferramenta que, insisto, é maravilhosa, depende de uma boa fase de adaptação.
Apesar das inúmeras páginas de ajuda que o sistema oferece, a verdade é que as pessoas comuns como eu, e talvez você, só vão aprender a usar a ferramenta e seus recursos depois de gastar onde não devia e perceber os próprios erros.
Foi assim com a gente.
No começo, fizemos, com um entusiasmo e uma empolgação típica de uma abertura de um novo empreendimento, uma lista de 278 palavras-chave.
Se a palavra tinha qualquer relação com aquilo que fazíamos, por mais distante que fosse, colocávamos na busca.
Nosso site recebeu muitas visitas. Muitas mesmo.
Era ótimo avaliar os relatórios do nosso provedor. 
O único problema é que o aumento nas visitas não gerou aumento nas vendas. Só nas despesas.
Foi aí que aprendemos duas grandes lições, uma de ordem operacional e uma descoberta que muito nos ajudou a compreender a cabeça, e os sentimentos, das pessoas.
Com relação ao operacional, aprendemos que esse tipo de campanha deve ser focada e segmentada, para atingir exatamente o seu potencial comprador. A palavra certa para a pessoa certa.
Sem dúvida, uma boa descoberta, que serve de dica para quem já está se aventurando ou pretende um dia se aventurar nessas campanhas pela internet.
A outra descoberta, aquela do lado humano, está relacionada à força de uma palavra:
Motivação!
Eu sempre soube de sua importância, mas só pude mensurar isso após a campanha no Google.
A palavra motivação tinha uma procura mais do que dez maior do que a segunda colocada na minha lista, a palavra liderança.
Ou seja para cada 10 pessoas que procuravam a palavra motivação no Google, apenas uma procurava por liderança.
Quando comparada a outras palavras fortes como resultados, integração ou atitude, a diferença era de mais de 20 vezes.
Outro parâmetro interessante: Em nossa empresa, para cada 25 propostas de treinamento solicitadas, 24 envolvem a necessidade de motivar pessoas.
Parece que esse é mesmo um problema real das empresas e das pessoas.
Não bastassem esses parâmetros numéricos, existem também outras formas de se avaliar o problema, que apesar de não serem mensuráveis ou quantificáveis, são absolutamente perceptíveis.
Um bom exemplo foi um e-mail que recebi da Camila há pouco tempo.
Camila, 18 anos, inteligente, bonita, mas não imune aos problemas com motivação.
Um breve resumo de suas dúvidas:
Como encontrar motivação para fazer o que é preciso, apesar de não ver resultados naquilo que faço?
Motivar-me é o mesmo que me cobrar?
Não me sentir motivada com meus estudos é sinônimo de preguiça ou falta de comprometimento?
A Camila só tem 18 anos.
Ainda nem entrou no mercado de trabalho.
Possivelmente nunca conviveu com um cara chamado chefe.
Pensei muito na Camila, e em todas as outras pessoas que precisam dar conta de inúmeros compromissos, suportar as mais diversas pressões e se sentem cobradas a vencer em um mundo cada vez competitivo.
Estou longe de ter a verdade sobre o assunto, mas algumas considerações talvez ajudem:
1. A Camila é ótima. Apesar de ter só dezoito anos, mostra-se mais madura e mais corajosa que a grande maioria das pessoas que são incapazes de enfrentar os próprios medos. Valeu, Camila!
2. Apesar de precisar se cuidar para não ficar estressada, afinal é muito jovem para isso, ela fala em comprometimento, uma competência que falta em muita gente, inclusive com altos salários. Valeu, de novo, Camila!
3. E, o mais importante: ser capaz de se questionar, de pensar nas próprias competências, enfim, de buscar se descobrir, de querer se auto-conhecer, mesmo que ela ainda não tenha se dado conta disso, é o caminho mais correto para ser capaz de se auto-motivar.
Mais um ponto para ela.
Uma única dica: Fique menos preocupada com isso, aproveite os momentos que passa com aqueles que realmente valem a pena e valorize mais as coisas simples da vida.
E, para a Camila, além do muito obrigado pela oportunidade de reflexão, deixo um trecho da despedida do maravilhoso Gabriel García Márquez:
“Se Deus me presenteasse com um pedaço de vida, vestiria simplesmente, me jogaria de bruços no solo, deixando a descoberto não apenas meu corpo, como minha alma.
Deus meu, se eu tivesse um coração, escreveria meu ódio sobre o gelo e esperaria que o sol saísse.
Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre estrelas um poema de Mário Benedetti e uma canção de Serrat seria a serenata que ofereceria à Lua.
Regaria as rosas com minhas lágrimas para sentir a dor dos espinhos e o encarnado beijo de suas pétalas.
Deus meu, se eu tivesse um pedaço de vida, não deixaria passar um só dia sem dizer às gentes te amo, te amo.
Convenceria cada mulher e cada homem que são os meus favoritos e viveria enamorado do amor.
Aos homens, lhes provaria como estão enganados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saber que envelhecem quando deixam de se apaixonar.
A uma criança, lhe daria asas, mas deixaria que aprendesse a voar sozinha.
Aos velhos ensinaria que a morte não chega com a velhice, mas com o esquecimento.”
Fazer da motivação um motivo de prazer e não uma obrigação, eis aí um bom desafio.
Um carinhoso
abraço.
Flávio Lettieri
flavio@sommaonline.com.br
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